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Wǔ e Wén: O equilíbrio entre a espada e…

Na tradição chinesa existe um ideal de homem completo que atravessa milênios: aquele que domina tanto o (武) quanto o wén (文).

representa a força, a coragem, a disciplina marcial, a capacidade de proteger, de agir com decisão e, quando necessário, de lutar. É a energia da ação direta, da liderança em momentos de crise e da proteção do que é valioso.

Wén, por outro lado, evoca o domínio da cultura, dos estudos, da escrita, da moral, da diplomacia — tudo aquilo que é civilizado, refinado, paciente e construtivo.

Quem reúne as duas dimensões é descrito pela bela expressão 文武雙全 (wén wǔ shuāng quán) — “completo em armas e em letras”. Ou seja: excelente guerreiro e também excelente sábio; mestre da espada e da caneta.

Esse ideal ganhou rostos históricos concretos nos dois reis fundadores da dinastia Zhou (周朝), uma das mais longevas da história chinesa:

  • Rei Wu (周武王) — o “Rei Marcial” Filho do Rei Wen, foi o grande comandante que uniu as forças dos estados vizinhos, liderou a batalha decisiva e derrotou a dinastia Shang, fundando assim a dinastia Zhou. Representa a ação firme, a liderança em combate e a coragem de transformar visão em realidade com determinação.
  • Rei Wen (周文王) — o “Rei Culto” Erudito, sábio e profundamente conectado à filosofia. É a ele que a tradição atribui a organização dos 64 hexagramas do Yi Jing (I Ching – O Livro das Mutações), um dos textos mais antigos e influentes da humanidade. Sua figura simboliza a sabedoria, a paciência, a virtude e o governo pela compreensão profunda das mudanças do mundo.

A tradição chinesa não coloca esses dois princípios em oposição. Pelo contrário: a verdadeira grandeza surge exatamente da alternância harmônica entre eles.

Existe um antigo ditado que resume lindamente essa filosofia:

文武之道,一張一弛 (wén wǔ zhī dào, yī zhāng yī chí)

O caminho das armas e das letras é como o esticar e o soltar de um arco.”

Às vezes é preciso tensão, disciplina, rigor, ação direta (o zhāng – esticar). Em outros momentos, é fundamental a clemência, a flexibilidade, o descanso, a contemplação (o chí – soltar).

Viver bem, segundo essa visão milenar, é aprender a alternar esses dois movimentos com sabedoria: saber quando avançar com firmeza e quando refletir; quando lutar e quando ouvir; quando impor disciplina e quando acolher; quando agir e quando compreender.

E você? Consegue identificar em sua vida esses momentos de tensão e relaxamento, de e de wén? Ou será que você tem vivido mais em um dos lados do arco, deixando o outro meio esquecido?

Talvez o convite dos reis Wu e Wen, depois de tantos séculos, continue atualíssimo:

Não escolha entre a espada e a caneta. Aprenda a manejar as duas — e saiba a hora certa de usar cada uma.

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A Dança do Leão no Restaurante Macau

舞 Obrigado por ter feito parte da comemoração dos 50 anos do Restaurante Macau, junto com a Wu Wen Kung Fu! A Dança do Leão que fizemos tem um sentido profundo, conectado com a jornada que pudemos celebrar juntos no dia 06/12/25. E é hora de te contar um pouco sobre este significado!

O que é a Dança do Leão?
Dança do leão (chinês: 舞獅; pinyin: wǔshī) é uma forma de dança tradicional na cultura chinesa, na qual os participantes imitam os movimentos de um leão usando uma fantasia do animal. Seria interessante lembrar que não existem leões na China, então, “Leão” é o nome dado a esse ser mítico representativo.

O que significam os bancos?
Os bancos na verdade representam uma montanha ou ainda, a necessidade de se elevar do plano comum para buscar algo mais perto do Infinito. Vale notar aqui que quando o Leão se aproxima dos bancos ele hesita em subir. Isso nos lembra que nós mesmos muitas vezes deixamos de agir por medo mas, assim como o Leão, devemos aceitar e enfrentar desafios que nos levem para um degrau acima em nossas vidas.

O que é aquele envelope vermelho?
O hong bao (紅包) significa “envelope vermelho”. Na Antiguidade, conta-se que era costume entrelaçar moedas com um fio vermelho para afastar a má sorte. Quando houve a evolução de maquinário, o fio foi substituído por um envelope. O Leão captura este hong bao do Infinito e o entrega para o responsável do restaurante, simbolizando o desejo de que restaurante siga com boa sorte em sua jornada.

As “bençãos”
O Leão representa a energia Yang, que é relacionada com ação, movimento e força. Quando ele se posiciona diante de alguém ou um marco importante do local, é costume ele fazer um movimento em arco por três vezes, simbolizando Três Planos: o mundo da natureza, o mundo dos homens e “o que está acima”. Isso simboliza que o Leão está colocando sua energia Yang naquela pessoa ou marco e que essa energia possa se manifestar ali sempre, em qualquer circunstância.

Quer conhecer mais sobre o Kung Fu, o Tai Chi e a Dança do Leão? Só clicar no botão do WhatsApp que está nesta tela e venha descobrir a Wu Wen Kung Fu.

Mais uma vez agradecemos ao Ricardo, Camila, Roberto e toda a equipe do Restaurante Macau. Que os próximos 50 anos sejam repletos de sucesso!

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As Origens e a Jornada do Kung Fu Louva-a-Deus

O Kung Fu Louva-a-Deus, ou Tang Lang Quan em chinês, é um dos estilos mais icônicos e ferozes das artes marciais chinesas. Inspirado nos movimentos ágeis e implacáveis do inseto predador — que, apesar de pequeno, ataca com garras afiadas e precisão letal —, esse sistema combina velocidade, pegadas e contra-ataques contínuos. Mas além de sua estética cinematográfica, popularizada por filmes, sua história é uma saga de resiliência, marcada por migrações forçadas e adaptações culturais. Vamos mergulhar nas raízes e na expansão desse estilo lendário.

As Raízes em Shandong: A Lenda de Wang Lang

Tudo começou na província de Shandong, no nordeste da China, aproximadamente no final da Dinastia Ming (século XVII). A lenda central gira em torno de Wang Lang, um espadachim habilidoso e estudioso de artes marciais que buscou inspiração na natureza. Observando uma luta entre um louva-a-deus e uma cigarra — onde o inseto menor derrubou o adversário maior com golpes rápidos e garras implacáveis —, Wang Lang revolucionou o Kung Fu.

Ele integrou esses movimentos a estilos locais de Shandong, como o Punho Longo e o Macaco, criando o Tang Lang Quan. O resultado? Um sistema típico do Norte da China com “footwork” complexo, ataques em cadeia e foco em pontos vitais. Inicialmente ensinado em segredo, o estilo floresceu em Shandong e Liaoning, ramificando-se em sublinhagens como Sete Estrelas (Qi Xing), Flor de Ameixa (Mei Hua) e Seis Harmonias (Liu He).

Fuga para Taiwan e Hong Kong: A Sombra da Revolução Comunista

O século XX trouxe turbulências. Com a ascensão do Partido Comunista Chinês (PCC) e a Revolução Cultural de Mao Zedong (1966-1976), as artes marciais tradicionais foram vistas como “feudais” e perseguidas — templos foram destruídos, mestres exilados. Muitos praticantes fugiram, carregando o Louva-a-Deus como herança cultural.

Em Taiwan, a migração ocorreu em massa a partir de dezembro de 1949, quando o governo nacionalista (Kuomintang) de Chiang Kai-shek recuou para a ilha após a derrota na Guerra Civil Chinesa. Cerca de 2 milhões de refugiados, incluindo mestres de Kung Fu, estabeleceram escolas em Taipei e Kaohsiung. Destaque para Wei Xiaotang, discípulo de Feng Huanyi, que refinou o subestilo Oito Passos (Ba Bu) e o transmitiu lá, preservando formas como Beng Bu (Passo Esmagador). Taiwan tornou-se um refúgio fértil, onde o estilo se adaptou ao ambiente insular, enfatizando treinamento militarizado para as tropas nacionalistas.

Paralelamente, Hong Kong — colônia britânica até 1997 — atraiu ondas de imigrantes nos anos 1950 e 1960. Mestres como Luo Guangyu, via Jingwu Athletic Association, disseminaram o Louva-a-Deus Sete Estrelas, ensinando em telhados de Kowloon e associações Hakka. Figuras como Chiu Chi Man e Wong Hon Fan fundaram academias, influenciando o cinema de Kung Fu. Lai Tung-Hoi, de Guangdong, promoveu o estilo internacionalmente. Hong Kong não só salvou o estilo da extinção, mas o globalizou via filmes, com Bruce Lee estudando manuais de Wong Hon Fan.

Expansão para os EUA e o Brasil: Um Legado Transcontinental

A diáspora continuou para o Ocidente. Nos Estados Unidos, o Louva-a-Deus chegou nos anos 1940-1960 via imigrantes chineses em Chinatowns. Lum Jo (Lam Sang), do subestilo Southern Mantis (Jook Lum Gee Tong Long Pai), estabeleceu-se em Nova York em 1942, ensinando no Hip Sing Tong e formando uma das maiores escolas de Kung Fu da época. Brendan Lai popularizou o Sete Estrelas na Califórnia a partir de 1967, abrindo portas para não-chineses. Mestres como Henry Poo Yee e Gin Foon Mark expandiram o Chow Gar, influenciando o MMA moderno. Hoje, linhagens como a de James Shyun treinam forças de segurança, com academias em mais de 30 estados.

No Brasil, a chegada é mais recente, ligada à imigração chinesa pós-1949 e ao boom das artes marciais nos anos 1970-1980. O Grão-Mestre Li Wing Kay, da 7ª geração, introduziu o Flor de Ameixa e Sete Estrelas em São Paulo, fundando escolas e treinando a primeira geração de shifus brasileiros. Hoje, o estilo floresce em academias como a Shi Zhan Kung Fu e, aqui em Belo Horizonte, na Wu Wen Kung Fu.

Por Quê o Louva-a-Deus Perdura?

De Shandong a São Paulo e Belo Horizonte, o Louva-a-Deus sobreviveu por sua adaptabilidade: feroz no combate, mas profundo em filosofia. Ele ensina não só golpes — como o gancho de louva (tang lang gou) —, mas tenacidade, inspirando gerações. Se você busca uma arte que une lenda e prática, experimente uma aula. Quem sabe? Talvez desperte o predador interior.

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O que você precisa saber sobre os estilos de…

Existem muitos estilos de Kung Fu, cada um com suas próprias características distintas e enfoques únicos. Alguns dos principais estilos incluem:

Tai Chi: Este estilo é caracterizado por seus movimentos lentos e graciosos e é frequentemente praticado por idosos ou pessoas que desejam melhorar sua saúde e bem-estar.

Shaolin: Este estilo é um dos mais conhecidos e é conhecido por seus movimentos acrobáticos e explosivos. Ele enfatiza a força, a velocidade e a flexibilidade, além de uma mente disciplinada e focada.

Wushu: Este estilo é frequentemente praticado como uma forma de arte marcial e é conhecido por suas técnicas impressionantes e movimentos acrobáticos.

Hung Gar: Este estilo enfatiza a força e a estabilidade, e é conhecido por suas técnicas poderosas e movimentos de luta.

Louva-a-Deus: Este estilo é baseado nos movimentos do inseto do mesmo nome, que é conhecido por sua agilidade e velocidade em caçar suas presas. Ele enfatiza movimentos rápidos e precisos, bem como a habilidade de se adaptar aos movimentos do oponente.

Cada estilo tem suas próprias características distintas e é importante escolher um que seja adequado para suas próprias preferências e objetivos de treinamento. É um mito que alguns estilos são mais adequados para certas pessoas. O que de fato importa é a escolha de uma escola com um método adequado de ensino, que vá de encontro ao que você busca. Independentemente do estilo escolhido, todos os estilos de Kung Fu enfatizam a importância da disciplina, da concentração e da prática constante para alcançar a excelência.

Tudo e Kung Fu Wui Wen Kung Fu

Tudo é Kung Fu ?

De volta a 2010

No remake de 2010 do filme “Karatê Kid”, onde Mr. Han (Jackie Chan) ensina Kung Fu para Dre Parker (Jaden Smith)…sim, eu sei que o nome do filme não tem relação nenhuma com a arte marcial do filme…mas esse não o ponto deste texto!

Então…durante suas aulas da Arte, Jackie Chan diz que “tudo é Kung Fu”.

Mas é “tudo” mesmo? A preguiça é? A inveja também é? E a intolerância…é? Ou será que estas três coisas não são o “tudo”?

Kung Fu é muito mais do que uma única Arte Marcial

Antes de continuarmos nesta linha, temos algumas coisas são de fato Kung Fu mas as pessoas no Ocidente não veem assim…O Tai Chi Chuan é. Por mais que os movimento sejam lentos e serenos, o Tai Chi não deixa de exigir prática, dedicação e foco.

Dança do Leão é outro exemplo. Ela também exige prática, dedicação e foco.

Estudar também é. Ela exige…bem, você já entendeu, certo?

Conduzindo Mr. Han

Agora de volta à frase do filme. Como “tudo” é muita coisa, eu digo para meus alunos uma versão um pouco mais acabada dessa frase:

“Tudo é Kung Fu, mas não é qualquer coisa que é Kung Fu.”

Agora todas as peças se encaixaram!

O “tudo” é representado por aquilo que nos faz ir além da nossa zona de conforto. Aquilo que nos desenvolve, aquilo que nos imprime a dar um passo adiante em nossa jornada de aprendizado e evolução como ser humano.

Nosso mundo é composto por muitas coisas. E não é qualquer coisa destas que os ajudam na jornada. Mas tudo aquilo que nos movimenta à frente é importante e, portanto, é Kung Fu.

E para você? O que é o “tudo” e o que é “qualquer coisa” em sua vida?

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Você contra o Mecanismo

Aptidão natural ou Condicionamento?

Eu tenho diversos alunos em idade escolar por aqui. Uma constante que vejo entre eles, sejam alunos da rede pública, sejam alunos da rede particular é que eles não gostam de certas aulas. Mesmo o pessoal que já deixou a escola ainda guarda memórias dessas preferências. Efeitos de um Mecanismo antigo e resiliente.

Isso é bastante comum. Todos nós temos aptidões naturais e enquanto uns gostam mais de Matemática, outros preferem História. É bom que seja assim…uma sociedade verdadeiramente diversa não tem apenas matemáticos e nenhum historiador ou só historiadores e nenhum matemático.

Mas há um ponto comum entre os alunos entusiastas de qualquer matéria: raramente alguém gosta da aula de Educação Física. Após uma certa idade, essa aula em muitas escolas se resume em uma bola de futebol para os meninos e uma bola de vôlei para as meninas.

Claro, as meninas que preferirem jogar futebol podem e os meninos que optarem pelo vôlei também podem. Mas é isso.

Os alunos não são ensinados a entender que, independente da crença que se tenha, você vai morar no seu corpo até o dia em que morrer. Então, é bom cuidar dele e conservá-lo da melhor forma possível.

E não é culpa do professor ou da professora de Educação Física. Este profissional sabe da importância da atividade física e sua vida gira em torno disso. Mas ele é apenas uma engrenagem de um Mecanismo muito, muito maior.

Descubra o Mecanismo

Este mesmo Mecanismo que te ensina que o cuidado com o corpo é menos relevante do que os estudos. Depois te diz que agora que você estudou deve trabalhar duro por muito anos, sem tempo para cuidar da “casa” que está habitando.

Tudo isso para que este mesmo Mecanismo tenha um médico no futuro te dizendo que você foi negligente com o corpo e agora é hora de pagar o preço, se privando de fazer certas coisas ou precisando de medicações para acompanhá-lo pelo restante de vida que terá.

E como enfrentar essa Mecanismo?

Enfrente o Mecanismo

A alienação pode ser em massa. Mas o despertar sempre é individual.

Cabe a cada um tomar consciência que ele deve buscar o seu desenvolvimento físico. Ainda que não seja para ser um atleta de elite em uma determinada modalidade. Ainda que seja “apenas” para cuidar da saúde. Essa consciência de auto cuidado pode acontecer em diferentes momentos da vida.

Algumas crianças contam com pais que os direcionam para esta consciência desde muito novos. Outros podem ter a oportunidade de se conscientizar na adolescência, apesar da sabotagem que o Mecanismo oferece silenciosamente e continuamente. Mas vale notar que há escolas públicas e privadas aqui que tem o mérito de ajudar os alunos nesta descoberta.

Já outros poderão ter a consciência apenas na fase adulta ou ainda mais à frente, talvez quando o Mecanismo se fizer presente na figura de um médico que lhe dá o veredito de fazer atividade física ou sofrer as consequências.

Como eu sempre digo: cada um tem uma jornada. E nessa jornada, cuidar do corpo em que você habita ajuda a tornar a jornada mais agradável.

Conclusão

Se você chegou até aqui, talvez você espere que eu vá falar que as pessoas deveriam procurar o Kung Fu ou o Tai Chi, já que meu trabalho é ensinar estas artes. Mas não é isso que eu quero dizer aqui.

Só quero dizer: faça uma atividade física que faça sentido para você. Se você acha que é o Kung Fu ou o Tai Chi, me avise e vamos conversar mais sobre isso. Mas se não faz sentido para você, tá tudo bem. Só não deixe de se movimentar. Tem todo um Mecanismo jogando contra você e você não precisa deixar o trabalho dele mais fácil.

E não esqueça de nos acompanhar no nosso canal do YouTube! Sempre teremos conteúdos interessantes por lá!

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Aulas Teóricas: História e Mitos no Kung Fu

Kung Fu também é para treinar a mente! Chegaram as Aulas Teóricas.

Agora na Wu Wen Kung Fu você pode ter acesso as Aulas Teóricas já ministradas pelo Shifu Danillo!

Em nosso plataforma online própria, já está disponível a aula “História e os Mitos do Kung Fu”.

O Kung Fu começou mesmo em Shaolin? Mulan foi a maior heroína da China?

Nesta aula vamos ver como a história e os mitos moldaram a visão atual do Kung Fu. Vamos visitar momentos importantes do Kung Fu e observar o que a história conta e o que os mitos contam. E mais: vamos entender como os mitos se reinventam de acordo com a época, usando um exemplo bem famoso do cinema atual.

Clique aqui para ter acesso a esta aula.

Se você gosta do assunto e quer saber mais sobre, não esqueça de se inscrever no nosso canal do YouTube. Saiba mais sobre a Arte que você pratica!

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Tai Chi Chuan e Wu Wei: Agir sem agir

Conceito e Tai Chi Chuan

Há um conceito no Taoísmo, que muitas vezes aparece na prática do Tai Chi Chuan chamado Wu Wei.

Wu Wei (無為) é explicado por Lao Tzu como “não ação” ou “agir sem agir” e tem uma proposta muito interessante.

Em essência, fazer uso do Wu Wei significa não fazer nada artificial, forçado ou que não esteja de acordo com o fluxo de acontecimentos do Universo e de acordo com a sua natureza.

Aparentemente simples, o Wu Wei tem dois pontos que acho importante dividir com você, da forma que eu o vejo.

Zeca Pagodinho x Lao Tzu

Primeira coisa: “agir sem agir” não é a forma chinesa de cantar a famosa música do Zeca Pagodinho. Não significa “deixa a vida me levar”.

Enquanto o “deixa a vida me levar” significa ser passivo no processo, ou seja, você literalmente não precisa fazer nada, apenas deixar rolar. Já o “agir sem agir” é mais ativo.

Por mais que nele você também deva seguir o fluxo das coisas, é preciso enxergar qual é o fluxo das tais coisas, ou seja, você deve ser capaz de ver como o Universo age, o que nem sempre é simples quando lidamos com questões delicadas e complexas.

Um exemplo prático para o Tai Chi Chuan

Por exemplo: se você está tomando sorvete e deixa-o cair no chão. Você precisa entender que a gravidade agiu e que sua falta de equilíbrio também agiu.

Quanto a gravidade, você nada pode fazer, então você aceita o fluxo das coisas. Já o seu equilíbrio pode ser aprimorado, então você me procura para começar a treinar o Kung Fu ou o Tai Chi Chuan.

Assim, você praticou uma “não ação” contra a gravidade e agiu onde você poderia mudar a natureza das coisas, que é na sua própria habilidade de se equilibrar e equilibrar objetos.

Ainda usando o exemplo de que vc foi treinar para melhorar seu equilíbrio, vamos falar do segundo ponto que podemos usar o Wu Wei, a “não ação”.

Uma coisa de cada vez

Você começou a treinar, excelente. Aí você aproveita e se programa para treinar 3 vezes por semana de manhã cedinho. Já que você vai começar a treinar, por que não amarrar ele com o “acordar cedo”, outro bom hábito que você sabe que precisa desenvolver, não é?

Esse é um dos maiores erros que você pode fazer. Se você naturalmente é uma pessoa mais noturna ou ainda não tem o hábito de acordar cedo, amarrar o treino de Kung Fu ou Tai Chi com o ato de acordar cedo provavelmente vai te fazer não acordar cedo e ainda desistir de treinar.

Por quê isso acontece? Primeiro, no Wu Wei você não deveria fazer nada que não esteja de acordo com a sua natureza. Se você uma pessoa que precisa melhorar o equilíbrio e que costuma acordar tarde, trabalhar estas duas coisas juntas pode ser muito mais difícil do que trabalhar uma delas de cada vez.

Dentro de você há a capacidade inata de acordar cedo e ter um bom Kung Fu ou um bom Tai Chi. Como no símbolo do Tai Chi, há uma semente de Yang onde você é mais Yin e uma semente de Yin onde você é mais Yang. Mas cuidar de duas sementes ao mesmo tempo pode fazer você não dar o tratamento adequado para as duas e com sua atenção dividida as duas sementes podem não florescer.

Assim, primeiro você começa a treinar, no horário que for mais fácil para você criar o hábito de treinar. Depois que você deixou este hábito forte, e colheu já alguns resultados, você pode cuidar da segunda mudança que deseja fazer.

Agir sem agir dá trabalho…

Mas você poderia me dizer: “poxa, mas tem que fazer muita coisa nessa história de ‘não ação’, né?”

Sim! Porque a “não ação” não é não fazer nada! Novamente: é não agir no sentido contrário ao fluxo natural das coisas e de você mesmo. Às vezes, redirecionar esse fluxo natural é impossível, como no caso da gravidade que falamos no começo. Às vezes é trabalhoso como treinar Kung Fu ou Tai Chi Chuan. O importante que eu quero te deixar aqui é que devemos usar o conceito de Wu Wei para transformar o trabalhoso em algo mais simples possível.

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A biblioteca de Bruce Lee

Que a figura de Bruce Lee é uma das mais emblemáticas das artes marciais e quem quer que treine Kung Fu já ouviu, viu ou leu algo dele todo mundo meio que já sabe.

Que existem polêmicas e mistério em torno dele também é algo que se fala. Muitas vezes os detratores salientam essas coisas e muitas vezes os fãs mais fervorosos se negam a considerar essas acusações.

Mas tem algo que quase ninguém fala. Algo que Bruce Lee fez e que você e eu podemos começar a fazer a qualquer hora, em qualquer lugar. Algo que, se fizermos bem feito, pode nos aproximar, ainda que um pouco, do mais famoso praticante de Kung Fu do século XX.

Não, não estou falando do soco de uma polegada ou de subirmos aos palcos para atuar. Nem de participar de eventos ou combates, ainda que você treine Kung Fu também para isso. Algo mais simples: ler e estudar.

O guerreiro estudioso

Pouco se fala sobre isso, mas Bruce Lee era uma pessoa que gostava de ler e lia tudo o que o ajudaria a se desenvolver como pessoa e que poderia ajudar no desenvolvimento do seu Kung Fu.

E não estamos falando aqui de ler apenas livros relacionados com artes marciais. Claro, isso não poderia faltar para alguém como Bruce Lee. Mas ele foi muito, muito além: podemos encontrar São Tomás de Aquino ao lado de Confúcio. Napoleon Hill caminhando ombro a ombro com Joseph Campbell.

Abaixo a lista de livros da biblioteca de Bruce Lee. Uma excelente recomendação de leitura para quem realmente quer conhecer um pouco mais sobre ele e o que ajudou a formar seu modo de pensar.

Filosofia Ocidental

Suma Teológica Completa – São Tomás De Aquino
Investigação sobre o Entendimento Humano – David Hume
Meditações sobre Filosofia Primeira – Rene Descartes
Presente e Futuro – Carl Jung
Tornar-se Pessoa – Carl Rogers
Obras de Bertrand Russell
Obras de Platão
Oráculo manual e arte de prudência – Baltasar Gracian
O Herói de Mil Faces – Joseph Campbell (e outros títulos de Campbell)
Ética – Benedito Spinoza
Máximas e reflexões – Johann Wolfgang van Goethe

Filosofia Oriental

Obras de Jiddu Krishnamurti
Tao-Te-Ching – Lao-Tzu
A Via de Chuang-Tzu – Thomas Merton
O Livro dos Cinco Anéis – Miyamoto Musashi
Obras de Alan Watts
Os Analectos – Confúcio
A Arte da Guerra – Sun Tzu
Bushido: Alma de Samurai – Nitobe Inazo
Sidarta – Herman Hesse (e outros títulos do mesmo autor)
O Zen Budismo – Christmas Humphreys (a vários outros relacionados ao Budismo)
Os Clássicos Chineses – James Legge (todos publicados pelo autor)
Living Zen – Robert Linssen (e vários outros relacionados ao Zen)

Artes Marciais/Esgrima/Boxe

On Fencing – Aldo Nadi (e mais de 60 livros sobre esgrima e teoria da esgrima)
Aikido: The Art of Self-Defense – Ko„ichi Tohei
Advanced Karate by Masutatsu Oyama (e muitos outros títulos de Oyama)
A Beginner’s Book of Gymnastics – Barry Johnson
Championship Fighting – Jack Dempsey
Book of Boxing and Bodybuilding – Rocky Marciano
How to Box – Joe Louis
Manual de Box do Exército Americano
Efficiency of Human Movement – Marion Ruth Broer
Physiology of Exercise – Laurence Morehouse
Wing Chun – James Lee
Acupuntura: a Arte Chinesa de Curar – Felix Mann
Esquire’s The Art of Keeping Fit
Treinamento de Combate para o Soldado do Exército Americano
Modern Bodybuilding – Oscar Heidenstam

Auto-ajuda

O Poder do Pensamento Positivo – Norman Vincent Peale (e vários outros livros de Peale)
Pense e Enriqueça – Napoleon Hill
Dynamic Thinking – Melvin Powers
A Mágica de Pensar Grande – David Schwartz
O Homem é Aquilo que Ele Pensa – James Allen
The Success System That Never Fails – Clement Stone
Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas – Dale Carnegie
Do Fracasso ao Sucesso em Vendas – Frank Bettger

Diversos

Elements of Style – Strunk and White
Playboy’s Party Jokes & More Playboy’s Party Jokes
O emblema vermelho da coragem – Stephen Crane
Cartas de um Diabo ao seu aprendiz – CS Lewis
A História da Civilização – Will Durant (os 11 volumes!)
The Viking Book of Aphorisms – Louis Kronenberger e W. H. Auden
Obras de Shakespeare

Conclusão: treine Kung Fu mental também!

Pouco conhecida em nosso país, essa lista oferece mais uma forma de trilhar os passos de um gênio de sua época e um dos maiores de todos os tempos. Quem quer que treine Kung Fu pode aprender algo com ela e com a postura do Pequeno Dragão. Mais do que “apenas” treinar Kung Fu, Bruce Lee nos deixa o legado de que também precisamos treinar a mente. E não esqueça de conferir o que nossos alunos tem falado a respeito de nossa escola, clicando aqui.

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3 Livros para treinar Tai Chi Chuan

Para quem quer treinar Kung Fu ou Tai Chi Chuan, que é o foco do trabalho de nossa escola, é importante dizer algo.

Nossa escola é uma das pioneiras no formato híbrido, onde temos alunos que treinam apenas presencialmente em nosso espaço, alunos que fazem aulas presenciais e online (ao vivo e gravadas) e alunos que só fazem aulas online.

Neste momento temos alunos em diversas cidades de MG (dentro e fora da Grande BH) e também em SP graças a este sistema.

Você pode ver mais da nossa escola no nosso site e um pouco da forma que eu abordo a arte marcial, tanto o Kung Fu como o Tai Chi no nosso canal do YouTube.

Treinar Tai Chi do digital e do físico

Apesar de toda a tecnologia disponível, recebo ocasionalmente dos alunos e de seguidores, pedidos de indicação de livros sobre artes marciais. Algo que possa complementar o estudo, seja de quem treine Kung Fu, seja de quem treine Tai Chi Chuan.

Neste post ofereço 3 sugestões de livros sobre Tai Chi Chuan:

1- “Tao Te King” de Lao Tzu (tradução de Richard Wilhelm)
Por mais que não seja um livro de Tai Chi ou Chi Kung especificamente, entender os fundamentos do Taoísmo pode ser útil para entender a forma de pensar que os chineses usaram para desenvolver a Arte.

2- “O livro completo do Tai Chi Chuan” de Wong Kiew Kit
Apesar de não ser completo, como o nome diz, ele é bem abrangente e num nível básico procura conectar aspectos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e Chi Kung com o Tai Chi.

3- “Tai Chi Chuan – Estilo Yang Tradicional” de Chan Kowk Wai
Comentei alguns tópicos sobre esta obra no nosso Instagram. O que gostei deste livro é que ele é pensando nas pessoas que falam português, então ele usa uma linguagem bem clara e explica bem quando relacionar e quando separar as práticas de Chi Kung com o Tai Chi.

Os links acima são para o site da Amazon, mas qualquer outro lugar vai servir igualmente.

Conclusão

Ler é um bom hábito. Treinar Kung Fu e treinar Tai Chi Chuan é um bom hábito. Somar dois bons hábitos juntos pode ser uma experiência enriquecedora pois complementa intelectualmente o treino prático. Apenas não esqueça: a teoria e o estudo DEVE andar com a prática!